Projeto coletor de água de chuva

Objetivos

No dia 1º de junho de 2022 deu-se início a segunda coleta de dados na comunidade Vale do Sol I, com visitas e preenchimento de formulários com o intuito de levar ao conhecimento dos produtores daquela comunidade um projeto em estudo para sanar o problema crítico da água na região e levantar a potencialidade existente em cada propriedade, além de pesquisar se eles estariam dispostos a aderir ao plano elaborado na tentativa de minimizar a escassez de água no período de estiagem.

No total, foram visitadas 40 propriedades, ou seja, em torno de 50% da comunidade e como se pode perceber pelo mapa da região, representado na figura 1, foram atingidos pontos estratégicos que permitem um diagnóstico mais próximo possível da realidade. Em paralelo, foi pesquisado a respeito da produção leiteira na comunidade com a finalidade de viabilizar o laticínio existente na sede da associação para produção de derivados do leite, no sentido de implementar mais uma fonte de renda para a associação e os produtores em geral. Nesta pesquisa foi possível notar uma certa resistência que alguns sitiantes deixando clara sua insatisfação com a atuação da Associação, a falta de união existente entre os associados e a animosidade com que as coisas acontecem, principalmente quando se referem a o sistema de distribuição de água no assentamento. Procurando meios de entender o problema, levantamos a situação dos poços hoje existentes, sua rede de distribuição, a frequência com que essa água é fornecida e a vazão destes poços em atividade, chegamos ao esboço encontrado na figura 1. Pode-se notar que o loteamento é dividido em dois setores, separados pelo Córrego Ararão. Em cada setor existe um poço que o abastece.

Em amarelo, representamos a distribuição pelo poço situado no lote 75, com uma vazão média de 3.800 litros/hora, servindo uma área de aproximadamente 68,4 ha onde existem 17 núcleos familiares. Algumas propriedades sem atividade alguma, outras a venda e outras ainda tem seu próprio poço e não usam o sistema de distribuição. Nesta região existe um abastecimento maior de água, chegando a ser diária em algumas ocasiões, mas raramente falta água nos canos. Apesar desta vazão ser quase constante, é em pouca quantidade e se restringe as atividades básicas da propriedade, não permitindo um sistema de irrigação.

Em azul, representamos a localização e rede de distribuição do poço localizado no lote 01. A exemplo do outro, tem uma vazão média de 3.800 litros/hora, servindo uma área de 315 ha com um número médio de 70 núcleos familiares. Convém citar que, da mesma forma que a outra região da Associação, também existem muitos lotes inativos, a venda ou fechados.

Os moradores desta região que cultivam algum tipo de produto, tem seus próprios poços semiartesianos e os “caipiras” para usarem na irrigação de pequeno porte e utilizam a água da rede apenas para servir as residências.
Isso se justifica porque, segundo informações, a água da distribuição (poços coletivos de distribuição) tem um pH em torno de 8 e a dos poços “caipiras” ficam na faixa média de pH 3,4. Sabe-se que, segundo o Ministério da Saúde, o pH ideal da água deve ser mantido entre 6 e 9,5. Além das questões de filtragem e dos aspectos microbiológicos, esse é o padrão considerado adequado para consumo.

Nesta região pode-se notar uma dificuldade muito maior no abastecimento, chegando a faltar água constantemente nas torneiras. Nas propriedades mais próximas deste poço, a frequência de distribuição se restringe a um período de 3 horas diárias, para que não se faça outro uso além do estritamente necessário ao abastecimento da residência e possa alcançar um perímetro maior de distribuição. Mesmo adotando este sistema restritivo, as áreas mais distantes sofrem constantemente com a falta total de água na rede de distribuição e os proprietários que têm maior poder aquisitivo, constroem seus próprios poços semiartesiano e os demais usam o poço “caipira” para suprir suas necessidades e da propriedade.
Na tabela abaixo pode-se visualizar melhor a forma como se procede a distribuição de água na Comunidade Vale do Sol I. Todos os valores da tabela foram fornecidos pelos produtores, nas visitas às propriedades, pesquisas de áreas e localizações pelo Google Earth e dados informados pelo presidente da Associação Vale do Sol I, Sr. Vanderlei.

Pesquisa Relativa à Instalação de Coletores de Água e Construção de Tanques de Armazenamento

Área coberta existente nas propriedades.

Estes dados variam muito uma vez que cada propriedade possui sua própria estrutura e tamanho, condizentes com suas necessidades de moradia, armazenamento, galpão para ferramentas, garagens, barracão para os criadores e estufas para cultivo de mudas e verduras. Desta forma, para se ter uma melhor compreensão, dividiu-se estas áreas cobertas em faixas de acordo com a metragem média que elas possuem, conforme gráfico abaixo.

Analisando o gráfico, pode-se perceber que a maior quantidade de área de cobertura se situa em 8 propriedades, numa faixa de 151 a 200 m2, o que corresponde a 25% das propriedades pesquisadas.
Em seguida encontram-se 6 áreas na faixa de 201 a 250m2 (18%) de área coberta.
As áreas de 50 a 100m2 (4) e as de 251 a 300m2 (4) vem em terceiro lugar com 12% cada uma da área total coberta.
De 101 a 150m2 (3) e de 351 a 400m2 (3) representam 9% da área coberta. As áreas na faixa de 301 a 350m2 (2) e de 401 a 450 (2) correspondem a 6% e a área de 451 a 500m2 corresponde a 3%, ou seja, uma única propriedade.
Se somada, todas as áreas cobertas nestas propriedades pesquisadas teríamos um valor aproximado de 7.690m2 de área de captação.

Utilização do poço comunitário e distribuição

Aceitação ao projeto de coleta e armazenamento de água da chuva.

Produção de leite

Produção na Comunidade

Foi perguntado aos proprietários se eles produzem leite em suas propriedades, se este leite era para venda no laticínio ou particulares, para consumo ou se não produziam.

Em seguida foi apresentado a situação em que se encontra o Lacticínio da Associação (figura 8 a 11), com praticamente 98% de sua estrutura concretizada, faltando apenas um esforço conjunto para seu término e compra de equipamentos para começar a produção que viria beneficiar a toda comunidade. Com base neste esclarecimento, foi perguntado a eles se teriam interesse em adquirir vacas leiteiras que garantisse a produção da matéria prima para o pleno funcionamento do Laticínio.

Dos 25 produtores que não produzem, 22 se mostraram interessados em adquirir vacas leiteiras desde que houvesse condições favoráveis por parte do governo em facilitar a compra, a construção de estruturas, formação de pastos e plantio de capim para alimentar este gado no período de estiagem, uma vez que o espaço deles para esta finalidade é bastante pequeno e eles não tem intenções, a princípio, de ocupar o espaço da agricultura.
Os produtores que hoje já tem alguns animais que produzem leite para consumo e vendas na vizinhança, mostraram interesse em aumentar a produção uma vez que já têm a estrutura pronta para esta finalidade.

Já os produtores de produzem quantidades maiores e vendem para um laticínio fora da cidade, mostraram interesse em fornecer sua produção e, inclusive, dobrar a produção hoje existente, desde que haja uma associação forte, confiável e que pague o valor equivalente ao que recebem hoje dos grandes laticínios, que buscam o leite na propriedade. Um dos produtores levantou o problema a respeito do transporte deste leite, uma vez que a Associação não teria condições e nem meios para pegar este leite nas propriedades.

Produção atual da comunidade

Como constatado na pesquisa anterior, a água é insuficiente para produzirem quantidade significativa de produtos para abastecer o mercado. Mas voltou-se a perguntar quais produtos eles ainda conseguem plantar, qual a produção mensal e como está sendo feita a venda destes produtos (varejo ou atacado).
De todos, apenas 16 produzem e vendem seus produtos nas feiras e mercados, mas tiveram certa dificuldade em mensurar valores recebidos pelas vendas uma vez que a produção que é levada até as feiras nem sempre é vendida e alguns produtos acabam retornando e aproveitados na alimentação de animais e consumo próprio.
Estes são alguns dos produtos que geralmente são produzidos para venda:
• Leite, frangos, hortaliças, quiabo, melancia, milho verde, Mandioca, mexerica, banana, limão, poncã, pimenta, abóbora, açafrão, acerola, granola, abacaxi, cajamanga, jiló, abobrinha. Estes produtores que entregam seu produto direto na feira do produtor, uma ou duas vezes por semana, tiram em média, R$ 2.300,00 ao mês.
10 produtores não produzem nada em suas propriedades. Algumas estão à venda, outras abandonadas e alguns ainda só mantem um caseiro que recebem um salário para cuidar da propriedade.
13 produtores plantam e criam animais apenas para consumo próprio e da família. Geralmente são aposentados que tem filhos que moram na cidade.

Produção de leite

Produção na Comunidade

Foi perguntado aos proprietários se eles produzem leite em suas propriedades, se este leite era para venda no laticínio ou particulares, para consumo ou se não produziam.

Em seguida foi apresentado a situação em que se encontra o Lacticínio da Associação (figura 8 a 11), com praticamente 98% de sua estrutura concretizada, faltando apenas um esforço conjunto para seu término e compra de equipamentos para começar a produção que viria beneficiar a toda comunidade. Com base neste esclarecimento, foi perguntado a eles se teriam interesse em adquirir vacas leiteiras que garantisse a produção da matéria prima para o pleno funcionamento do Laticínio.

Dos 25 produtores que não produzem, 22 se mostraram interessados em adquirir vacas leiteiras desde que houvesse condições favoráveis por parte do governo em facilitar a compra, a construção de estruturas, formação de pastos e plantio de capim para alimentar este gado no período de estiagem, uma vez que o espaço deles para esta finalidade é bastante pequeno e eles não tem intenções, a princípio, de ocupar o espaço da agricultura.
Os produtores que hoje já tem alguns animais que produzem leite para consumo e vendas na vizinhança, mostraram interesse em aumentar a produção uma vez que já têm a estrutura pronta para esta finalidade.

Já os produtores de produzem quantidades maiores e vendem para um laticínio fora da cidade, mostraram interesse em fornecer sua produção e, inclusive, dobrar a produção hoje existente, desde que haja uma associação forte, confiável e que pague o valor equivalente ao que recebem hoje dos grandes laticínios, que buscam o leite na propriedade. Um dos produtores levantou o problema a respeito do transporte deste leite, uma vez que a Associação não teria condições e nem meios para pegar este leite nas propriedades.

Sonhos e pretensões

Perguntado a respeito da solução deste problema da falta de água e havendo condições de praticar uma agricultura irrigada, por exemplo, mudaria alguma coisa nos planos deles a respeito de produção numa escala maior? O que eles gostariam de fazer num primeiro momento?
Uma grande parte, geralmente formada por pessoas mais idosas, disseram ter planos para uma agricultura mais leve e produtiva como as hortaliças, os legumes e frutas, além da criação de aves de produção de ovos caipiras ou semicaipiras.
Outros produtores gostariam de investir na pecuária, criando gado de leite e corte, em confinamento e carneiros, sendo tratados em cocho com cana e capiaçu irrigado, em paralelo a cultura hortifruti.
A grande maioria optaria pelo milho irrigado, o feijão, o arroz, mandioca, banana, café, frutas diversificadas em larga escala, tomate, uva, abacaxi, mandioca e maracujá, para venda in natura. Outros já tem planos de cultivo de produtos para serem industrializados dentro da própria Associação como a farinha de mandioca, o queijo, os doces em compota, a industrialização do açafrão, do colorau, da pimenta e outras conservas.

Resultados alcançados

Identificado o principal problema dos produtores familiares do Vale do Sol I;
Levar o projeto ao conhecimento da comunidade;
Complementar o resultado para elaboração de nova oficina;
Identificado novos problemas e aspirações dos moradores.