Levantamento Socioeconômico da

Comunidade Vale do Sol II

Deu-se início a coleta de dados dos produtores da comunidade Vale do Sol II com visitas e preenchimento de formulários.
Os sitiantes responderam os formulários num primeiro contato, em todos os quesitos solicitados, não sendo necessário retornar as visitas em outra oportunidade ou observando e desenvolvendo em qualquer outra ação para a coleta de dados.
Todos os valores fornecidos pelos produtores e utilizados nos gráficos abaixo, são a média anual de 2022 que cada produtor forneceu até o momento da coleta.
Uma dificuldade encontrada está no fato de que os sitiantes não mantêm um controle contábil dos seus gastos e receitas, dificultando mensurar valores precisos quanto a produção individual de cada item pesquisado.
Todo o Diagnóstico foi construído com base nos relatos dos produtores entrevistados.
Outro detalhe que dificultou um resultado mais satisfatório foi o fato de que muitas propriedades se encontram sem qualquer atividade e, pesquisando com moradores vizinhos, nos foi informado que são moradores que tem residência e atividades na cidade e que se deslocam até sua propriedade nos finais de semana. No geral foi atingido uma percentagem em torno de 82%, ou seja, 40 propriedades ocupadas, sendo que em torno de 10 proprietários se negaram a participar das entrevistas.

Participação Associativa

Durante as coletas dos dados para o diagnóstico, percebeu-se a insatisfação geral dos moradores para uma série de problemas que estavam ocorrendo, tanto a nível de associação quanto às providências que deveriam ser tomadas pelo poder público. Ao questionar a respeito das expectativas quanto da aquisição os lotes, informaram que esperavam uma atuação maior da associação no sentido enfrentar com mais rigor os problemas que estão enfrentando para o manejo da terra. Alguns relatam o interesse em vender, por falta recursos para investir, outros enfrentam grave problema com a falta de água, outros ainda enfrentam problemas com a dificuldade de comercializar seus produtos e até falta de incentivo do governo no custeio das safras. Apesar desta insatisfação, a maior parte dos agricultores (55%) ainda mantém um vínculo com a atual associação, como se pode constatar no gráfico 1.

Títulos das propriedades

De acordo com o gráfico, os assentados são, na grande maioria, proprietários desde o início do assentamento, residindo no imóvel, não existindo qualquer posse ilegal de imóveis na área.
São produtores advindos de outras regiões e adquiriram seus lotes legalmente, embora alguns ainda não tenham o título definitivo do imóvel. Apenas um casal é arrendatário e outro está cuidando do local pois o proprietário se encontra em tratamento de saúde.

Pessoas que moram na mesma propriedade

Foi observado durante as entrevistas que cada propriedade abrigava, na sua maioria, mais de uma pessoa dentro do seu espaço. Nesse sentido foi perguntado qual o número de pessoas que habitavam o mesmo local. Seja na mesma casa ou em casas diferentes construídas na mesma propriedade.
Da coleta de dados pode-se verificar em 7 Propriedade moram apenas uma pessoa representando 17% do total. Isto se dá porque geralmente o casal tem filhos na escola então a esposa se obriga a morar na cidade para cuidar destas crianças. Do total, 22 propriedades são habitadas por um casal (55%), 6 propriedades moram 3 pessoas (15%), geralmente um casal e um filho pequeno que ainda não entrou em idade escolar. Em 3 propriedades moram 4 pessoas (8%), normalmente dois casais e em 2 propriedades (17%) moravam 5 pessoas.

Saúde

A maioria dos produtores tem idade na faixa de 45 a 65 anos, com alguns problemas de saúde como a hipertensão e diabete na família, o que diminui o tempo de trabalho na lavoura pois não podem se expor ao calor intenso.
No total de 40 propriedades, encontramos 29 famílias (72%) com algum tipo de doença pré-existente e outras 11 famílias (28%) relataram não ter qualquer tipo de problema de saúde.

Renda complementar

Foi perguntado para as famílias se algum membro tem algum tipo de atividade que gere renda fora da propriedade como complemento de orçamento doméstico.
Pelo gráfico podemos notar que apenas 10 famílias (25%) tem alguém que presta serviço externo, fora da propriedade, para complementar o orçamento doméstico ou por ter alguma outra profissão onde preste serviços eventuais. As outras 30 (75%) famílias vivem exclusivamente da produção de subsistência ou de produção para comércio no varejo e atacado (95%).

Outra fonte de renda da propriedade

Pergunta semelhante foi feita no sentido de saber se a propriedade possuía alguma outra fonte de renda como aluguel de máquinas, moagem de ração etc

Das respostas expressas no gráfico, chega-se à conclusão de que 14 propriedades (35%) possui alguma fonte de renda extra, tais como tratores, tratorito e implementos que geram algum tipo de renda, e 26 propriedades (65%) vivem exclusivamente da produção.

Utilização da propriedade

Nesta pesquisa foram realizados levantamentos em 40 propriedades de 4,8 Ha cada, que somam aproximadamente 192 Ha, excluído uma porcentagem que corresponde na área de reserva legal. Neste sentido foi perguntado a cada proprietário como ele utiliza este espaço.

Com base no estudo das 40 propriedades analisadas, pode se chegar aos seguintes resultados: 109,9ha (57%) são utilizados como pastagem e isso se justifica pelo fato de que não necessita muita mão de obra no trato com o animal e o retorno se dá de forma constante através do leite e derivados, da produção do rebanho. Além da facilidade de venda numa eventual necessidade. Os restantes 82,1ha (43%) são utilizados para plantio que vão desde hortaliças, frutas, legumes e temperos.
Segundo cálculos efetuados através do Google Earth, a comunidade Vale do Sol II possui 980 Ha de área onde, apenas 192 Ha foram pesquisadas. Os 797,4 Há restantes são áreas a venda, fechadas impedindo a pesquisa, áreas de preservação permanente, estradas, áreas improdutivas, represas, sede da associação e algumas reservas particulares.

Estruturas físicas nas propriedades

Nas propriedades são encontradas casas principais de alvenaria e algumas estruturas ainda de madeira, mas a grande maioria são construídas de alvenaria com uma média de 40% sem qualquer tipo de acabamento como rebocos e pisos e algumas muito bem construídas. Do total geral, 2 são de madeira (5%) e 38 são de alvenaria (95%).

Outras estruturas

A maioria das propriedades, com exceção de duas ou três, possuem uma estrutura construída, de pequeno ou médio porte para criação de galinhas, porcos e galpões para guarda de ferramentas, produção e/ou equipamentos de uso na propriedade.

Na pesquisa constatamos que 20 propriedades (35%) possuem galpão ou depósito, 10 proprietários possuem um chiqueiro para engorda de porcos para uso próprio e comercialização de animal inteiro e 27 propriedades possuem um galinheiro para produção de ovos e consumo próprio da família

Uso da água

Neste item de pesquisa foi indagado aos proprietários sobre a origem da água que abastece a residência, as outras estruturas da propriedade (galinheiro, chiqueiro e horta) e, no caso de irrigação, caso houvesse.
Das 40 propriedades, 22 (51%) possuem poço artesiano e 18 (42%) utilizam poço caipira e apenas 3 (7%) propriedades utilizam o poço semiartesiano para casa e o poço caipira para abastecer as demais estruturas da propriedade.

Produção

Foi pesquisa entre os produtores entrevistados, o que eles produziam em suas propriedades e o valor mensal da venda destes produtos. Quanto ao valor, foi difícil mensurar porque eles não contabilizam sua produção. O que eles colhem, imediatamente já entregam aos atravessadores, na maioria das vezes, na porta de casa.
Quanto a produção, podemos destacar os seguintes produtos:

Gastos com produção

O consumo varia muito dentro de uma propriedade e nem sempre está ligado a produção, conforme se pode observar durante as entrevistas. Por vezes se trata da manutenção de aves e animais voltados para o consumo próprio da família.

Além dos gastos com a produção, da tabela acima, alguns produtores tiveram gastos com medicação veterinária para manutenção de rebanho, perfazendo um gasto total de R$1.670,00.

Tratando de forma global, verificou-se os seguintes consumos:

Gastos com manutenção da família

Dos dados coletados, chegou-se a seguinte conclusão a respeito dos gastos com a manutenção da família: a alimentação é a que mais pesa com 39%, em seguida vem outras despesas que compreende principalmente os gastos com combustível, depois a energia elétrica que representa 14% e por último os gatos com planos de saúde (12%) e os tratamentos médicos, exames, internamentos e compra de medicamentos (11%)

Máquinas e implementos

Quando pesquisado a respeito de máquinas e implementos existentes na propriedade, pode se notar que a maioria não possuía, então foi perguntado se o maquinário que fazia o serviço em suas terras era próprio ou de terceiros. Das respostas extraímos os seguintes dados: 6 (x%) possuem trator e implementos próprios, 27 (x%) contratam terceiros para trabalhar suas terras e 7 (x%) não utilizam máquinas por não plantarem quantidades grandes de terra.

Meio Ambiente

Das questões relativas à preservação, pode-se notar que estas famílias tem, na sua maioria, noções claras a respeito de sustentabilidade e, com palavras próprias, definiram e deixaram claro a preocupação quanto ao uso racional dos recursos da terra. Muitos produtores disseram transmitir estas noções de sustentabilidade e cuidados com o meio ambiente dentro da sua família, nas rodas de amigos e encontros, nas discussões e em orientação a funcionários e vizinhos. Já participaram de palestras e cursos sobre meio ambiente e recomendam.
Apesar desta noção que eles possuem, falta ainda orientação com alguns pontos fundamentais para se conseguir melhores resultados. Um exemplo disso é a destinação do lixo produzido na propriedade. Falta orientação e apoio dos órgãos público no recolhimento deste lixo e, por conta disso, muitos ainda queimam e enterram por não terem condições de levar no ecoponto.
Para fechar esta entrevista, foi perguntado a eles se tem sonhos para o futuro da sua propriedade e a maioria disse ter, apesar da situação difícil que estão passando por falta de incentivos. Alguns, com melhores condições financeiras, disseram conseguir realizar seus sonhos em um ano ou menos, outros afirmaram que se nada acontecesse em termos de política agrícola, demorariam pelo menos cinco anos para atingir suas metas, outros ainda afirmaram que se conseguissem, seria com no mínimo de 10 anos de muito trabalho.
E, por último, foi perguntado se existem esperanças de mudanças para que eles pudessem crescer em seus anseios e o que deveria acontecer pra acelerar este processo. Para auxiliar foram apresentados alguns itens como valorização da agricultura e do agricultor, incentivos do governo, aumento do consumo, criação e fortalecimento de cooperativas e modernização nos métodos de produção. O item mais assinalado foi o da participação mais ativa do governo, criando incentivos para o pequeno e médio produtor, em segundo lugar ficou na valorização da agricultura e do agricultor através da conscientização da importância destes para levar a produção de alimentos nas casas e, em terceiro lugar, citaram a importância de se criar cooperativas que cuidasse da produção de forma séria e transparente, dando segurança a esses agricultores associados.

Resultados alcançados

– Identificados os principais produtores familiares do município;
– Captação de dados dos proprietários;
– Complementar o resultado das oficinas do futuro;
– Identificada os problemas que mais afligem os moradores.

OFICINAS

Primeira Oficina - "Muro das Lamentações"

A atividade “Muro das Lamentações”. Desenvolvida pelo IPAC – Instituto Pantanal Amazônia de Conservação, com a metodologia do Programa Cultivando Água Boa da Itaipu Binacional, através de seu representante e palestrante Jair Kotz, teve o apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e da Associação de Agricultores Familiares Vale do Sol II.
Esta metodologia abrange aspectos sociais, comunitários, de organização, de associativismo e de produção.
Neste trabalho os participantes relataram as dificuldades que a Comunidade Vale do Sol II vem enfrentado, especialmente no diz respeito a aspectos sociais, de produção, econômicos, de saúde, de educação, de infraestrutura e em relação ao atendimento por parte das instituições públicas referente a disponibilidade destes serviços à comunidade.
Os agricultores compareceram em número bastante grande e tiveram a oportunidade de discutir com o palestrante e até entre eles mesmos, “lamentos” que, sistematizados, servirão de base para o desenvolvimento das próximas oficinas ou até um novo levantamento mais específico, caso necessário para subsidiar novas ações.
Ao final das reuniões foi servido um coffee break, que possibilitou uma conversa mais informal com algumas pessoas da comunidade e onde o Palestrante pode receber sugestões para resolver alguns problemas mais graves.

Segunda Oficina - "Futuro da Comunidade"

A atividade “Futuro da Comunidade”, a exemplo da oficina “Muro das Lamentações”, foi desenvolvida pelo IPAC – Instituto Pantanal Amazônia de Conservação, com a metodologia do Programa Cultivando Água Boa da Itaipu Binacional, através de seu representante e palestrante Jair Kotz, teve o apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e da Associação de Agricultores Familiares Vale do Sol II.
Esta metodologia procura trazer soluções para os problemas apresentados na primeira oficina. Abrange aspectos sociais, comunitários, de organização, de associativismo e de produção.