Levantamento da Bacia do Córrego Ararão

Deu-se início a coleta de dados dos produtores da Bacia do Córrego Ararão no dia 29 de junho de 2022, com visitas as propriedades e preenchimento de formulários. Todos os valores fornecidos pelos produtores ou funcionários, e utilizados nos gráficos abaixo, são referentes a média estimada mensal nos últimos 12 meses, que cada propriedade consumiu ou produziu.

Título da propriedade

Em sua grande maioria, as propriedades situadas na Bacia do Córrego Ararão são marcadas por médias e grandes propriedades, onde a pecuária e as plantações de soja e milho predominam. Somente nas comunidades Vale do Sol I e II é que se encontram pequenas propriedades (até 5 há) que sofrem com problemas diversos que comprometem a produção.

No entorno de Tangará da Serra, pode-se notar a urbanização de algumas pequenas propriedades que, há bem pouco tempo atras eram produtivas, e que hoje passam por um processo de loteamento e divisão em pequenas chácaras de lazer de menos de 1 há. Trata-se de um processo evolutivo constante, como se pode notar nas diversas áreas visitadas, sem nenhuma atividade, vizinhas de áreas loteadas e muito próximas a zona urbana.

Nas comunidades organizadas, como as já citadas Vale do Sol I e II, durante as coletas dos dados para o diagnóstico, percebeu-se a insatisfação geral dos moradores para uma série de problemas que estavam ocorrendo a respeito da regularização dos imóveis e que esperavam uma atuação maior da comunidade e da associação no sentido de união para enfrentarem os problemas da terra. Alguns relatam o interesse em vender, por falta recursos para investir, pois as terras não regularizadas, impedem a aquisição de financiamentos para plantio e, com isso, inviabilizando recursos financeiros para obtenção dos títulos definitivos.

Quanto as propriedades existentes, fora destas duas áreas citadas, pode-se verificar que estavam regularizadas.

Deste levantamento realizado em 70 propriedades, a respeito do título das propriedades visitadas, chegou-se aos seguintes dados: 55 (79%) são proprietários da terra e residem no local, 14 (20%) são colaboradores e 1 (1%) das propriedades está arrendada.

Pessoas na propriedade

Durante a entrevista pode-se levantar o número de pessoas que residem nas propriedades e chegou-se a um total de 70 pessoas, divididas conforme demonstram os dados da tabela abaixo:

Destes dados pode-se constatar que em duas propriedades, os proprietários residem na cidade, não produzem por não ter condições e tem a intenção de vender. De forma expressiva, em 12 propriedades encontramos 4 pessoas, em 16 propriedades encontramos um casal e em 19 propriedades encontramos 3 pessoas.

Participação associativa

Foi perguntado nas entrevistas se os proprietários faziam parte de alguma associação ou sindicatos. Das respostas, obtivemos os seguintes dados: 22 (31%) pertencem a uma entidade associativa e 48 (69%) não pertencem. Dentre os que pertencem, a maioria são criadores de gado e estão filiados ao Sindicato Rural e alguns tem aviários e estão associados a Associação dos Aviários. Os que não pertencem a nenhuma entidade, demonstram já ter pertencido, mas, descontentes, se afastaram.

Saúde

Questionado sobre problemas de saúde na família, 34 (49%) disseram ter problemas de saúde como pressão alta, colesterol, problemas cardíacos e diabete enquanto 36 (51%) disseram não ter problemas sérios de saúde.

Observando o alto índice de pessoas portadora de algum tipo de enfermidade, foi perguntado qual o valor gasto com medicamento destas famílias e chegou-se a um valor mensal de R$14.820,00 (quatorze mil, oitocentos e vinte reais), o que daria uma média de R$265,00 (duzentos e sessenta e cinco reais) por família.

Exercem atividade fora da propriedade

Num outro item foi perguntado se alguém da família, que morava na propriedade, desenvolvia alguma atividade fora da propriedade como forma de aumentar a renda da família. Das 70 famílias, 28 (x%) pessoas desenvolviam alguma atividade enquanto 42 (X%) viviam exclusivamente da renda interna.

Outras rendas da propriedade

Na mesma linha de raciocínio, foi perguntado se a propriedade tinha alguma forma de renda com aluguéis de pasto, arrendamento de áreas, maquinas e implementos que fizessem serviço fora da propriedade. Das respostas pode-se observar que 22 (x%) propriedades tinham algum tipo de renda extra e 48 (x%) não contavam com esta renda.

Área total das propriedades e sua ocupação

Questionados sobre a forma de ocupação e produção das propriedades, Nos foi informado dos seguintes valores:


Estrutura física das propriedades

Quanto a estrutura das casas das propriedades, a maioria (56) são construídas em alvenaria, com banheiro interno e acabamento externo. Outras (17) são construídas de madeira e apenas 8 casas são de forma mista.

Outras estruturas

Uso da água no propriedade

A respeito da captação de água na propriedade, foi perguntado de a água utilizada era de poço caipira, poço artesiano, semiartesiano ou mina. Das respostas montamos os seguintes dados: 26 utilizam poço caipira, 34 tem poço artesiano e 10 se servem de mina pra consumo da casa e poço semiartesiano para as outras estruturas. Isso se explica porque o PH da água do poço semiartesiano não é ideal para consumo humano.

Produção das propriedades

As propriedades têm uma grande variação na produção. Na tabela abaixo pode-se verificar os produtos produzidos e a quantidade de propriedades que elas produzem:

Gastos com produção

A respeito dos gastos com a produção nas propriedades, encontramos os seguintes dados:

Uso de equipamentos na propriedade

A propriedades utilizam de tratores, implementos, tratorito, trituradores e outros maquinários para facilitar o manejo no campo. Foi perguntado aos proprietários e arrendatários se eles possuem equipamentos próprios ou usavam de terceiros para o serviço. Das 70 propriedades, 26 tem equipamentos próprios, 21 contratam serviço de terceiro e 23 não utilizam de equipamento algum.

Cuidado com o Meio Ambiente

Tanto os proprietários quanto os colaboradores e arrendatário demonstraram ter conhecimento superficial a respeito de sustentabilidade e o uso racional dos recursos da terra. Explicam com palavras simples a forma como eles cuidam de suas terras para evitar seu desgaste natural e tem a preocupação de levar este conhecimento aos seus funcionários, amigos e vizinhos, no sentido de orientar para evitar possíveis desastres como o desmatamento excessivo e os cuidados com as margens dos córregos e preservação das nascentes.
Quanto ao lixo da sua propriedade, eles queimam os papéis e enterram latas, vidros e restos de construção. O lixo dos sacos de produtos químicos, adubos e sal são levados até o ecoponto e os restos orgânicos são dado as criações.
A maioria ainda não participou de nenhuma palestra a respeito de meio ambiente, mas disseram ter vontade de assistir.
Por último, foi perguntado se eles tinham algum plano para o futuro de suas propriedades. As respostas foram as mais diversas possíveis, mas transpareceram que tem sonhos para realizar. Quando perguntado se eles tinham um planejamento para fazer estes sonhos acontecerem, ficaram sem saber responder por conta das dificuldades que estão enfrentando, mas arriscaram, em média 5 anos de muito trabalho caso não haja incentivo do governo.
Foi dito a eles que a esperança em dias melhores, leva a crer que alguma coisa pode acontecer para facilitar a realização de seus sonhos e a maioria foi unânime em citar, além do incentivo do governo, a valorização da agricultura e do agricultor e a criação de cooperativa séria e transparente que viabilize o escoamento de suas produções.

Resultados alcançados

Identificado os principais produtores familiares do município;
Captação de dados dos proprietários;
Complementar o resultado das oficinas do futuro;
Identificada os problemas que mais afligem os moradores.