Levantamento Socioeconômico da

Bacia do Queima-Pé

A pesquisa foi efetuada através da pesquisa de campo que é feita por meio de uma entrevista com os agricultores do Queima Pé, no município de Tangará da Serra/MT, somadas a alguns registros fotográficos.
Para a realização dessa etapa foi elaborado, previamente, um roteiro constituído de perguntas abertas e semiabertas. Esse questionário foi criado e discutido pela equipe do projeto Queima-Pé. O roteiro da entrevista se encontrava norteada por três eixos principais: social, econômico e ambiental. Com o intuito de conhecer as condições sociais do Queima Pé, foram definidos, no presente estudo, os seguintes indicadores: educação, saúde e habitação.
A entrevista propunha, também, a obtenção de informações sobre alguns indicadores que enfocassem aspectos econômicos da agricultura familiar. Para tanto, foram definidos os seguintes pontos: produção agrícola e assistência técnica, porém a produção agrícola no Queima Pé possui variantes de cultura e clima, para se ter uma informação aceitável, seria necessário acompanhar as famílias por um período mínimo para formar a gestão da propriedade. Para a construção de um “retrato” da situação ambiental da agricultura familiar foram estudados os seguintes indicadores ambientais: forma de trabalho, água e destinação dos esgotos e lixo. Compreende-se, que os indicadores acima descritos são essenciais para a compreensão da situação atual da agricultura familiar.

Em relação às entrevistas, foram realizadas na residência de cada agricultor ou família.

Objetivo

Considerando o contexto explanado anteriormente, pretendeu-se por meio desta pesquisa analisar a perspectiva de sustentabilidade no desenvolvimento da agricultura familiar, considerando indicadores do âmbito social, econômico e ambiental sem desprezar elementos que se encontram intrinsecamente ligados.

Faixa etária dos entrevistados

Conforme apresentado no Gráfico, a maioria dos entrevistados se apresentou com idade avançada.

Esse fator é interessante, por se tratar de um público que no geral tinha o sonho de conseguir seu espaço rural, para a criação de animais e culturas, mas principalmente pensando em melhorar a sua qualidade de vida financeira. No entanto, torna-se preocupante esse cenário quando comparado ao número de agricultores mais jovens, pois os jovens não demonstram interesse em continuar na propriedade, levando os mais idosos a preocupação do futuro com relação a seus investimentos nas propriedades. Contudo, a participação de um público mais jovem, tornou-se essencial em função de comparar a percepção que estas diferentes gerações detêm sobre os elementos que permeiam suas vivências no meio rural e as tecnologias cada vez mais necessária. Os Mais velhos relatam as dificuldades quando necessário acessar cursos, capacitações online e muitas vezes, inclusive as mídias sociais.

Educação

Diante das informações podemos confirmar no Gráfico abaixo, que os entrevistados em sua grande maioria possuem um baixo nível de escolaridade.

Segundo o gráfico acima, O nível de escolaridade dos entrevistados no Queima Pé de Tangará da Serra apresenta da seguinte forma: apenas 12 pessoas possuem o Ensino Médio completo, 1 pessoa possui o Ensino Fundamental completo e 47 apresentaram-se com Ensino Fundamental incompleto. 4 pessoas disseram ser semianalfabetos e possuírem apenas o maternal. Esse fato se agrava, principalmente, quando a idade é mais avançada.

Muitos dos entrevistados deixaram explícita a vontade de ter estudado mais, porém, a maioria como filhos de agricultores, tinham que deixar de estudar para poder ajudar nos trabalhos do sítio e no sustento da família, essa ação da família fazia parte da cultura dos pais ou porque o acesso as escolas eram difíceis, na fase escolar da maioria não havia transporte escolar nos municípios onde residiam.

A condição financeira, o pouco incentivo dos pais e a responsabilidade atribuída a tenra idade são dificuldades ligadas ao baixo nível de escolaridade. No entanto, reconhecem que atualmente não há dificuldades para acesso a escolaridade, pois existe o transporte escolar disponibilizado pelo poder público local (Secretaria Municipal de Educação).
Pode-se observar que mesmo com a disponibilização do transporte escolar há uma demanda que não é atendida. Trata-se de pessoas que estudam na sede do município, no ensino superior, e acabam optando por morar na cidade ou mudar-se para a cidade devido ao horário.
É conveniente uma análise sobre os jovens, que cresceram no Queima Pé e estudaram na escola local e posteriormente passam a frequentar escola na cidade, com o passar do tempo acabam se cansando das viagens diárias, e alcançando idade para trabalhar com carteira assinada, passam a residir na cidade estudando a noite e trabalhando durante o dia para ter fonte de renda, onde acabam constituindo família.
Diante do apresentado, apreende-se que o modelo educacional vigente diminui a perspectiva da prática da agricultura se tornar uma questão “hereditária”, pois não instiga os alunos a conviverem no espaço rural à medida que é perceptível a diferença de ensino e da estrutura de recursos físicos e humanos entre as escolas urbanas e rurais. Além disso, há uma discriminação da sociedade quanto à questão de ser agricultor ou filho de agricultor, associando esses profissionais a imagem de matuto, e até mesmo sem escolaridade.
Com a perspectiva de melhoria no ensino, seria interessante a criação de uma escola nesta região, em período integral, que contribuiria de forma positiva com os alunos que lá estudam. Eles teriam, além do ensino convencional, oficinas de balé, futebol entre outros, e as aulas de reforço escolar, facilitando para os pais que possuem filhos com baixo rendimento escolar e anteriormente levavam os filhos no segundo período, à escola pelo menos uma vez na semana.
Os principais fatores que levam a essa conclusão são a estabilidade no nível de escolaridade dos agricultores, a diminuição do número de escolas ativas no espaço rural e suas condições físicas, e a consequente migração das famílias rurais para a área urbana. Os fatos, acima descritos, diminuem as chances dos filhos, ou das gerações mais novas, de se manterem no meio rural. O que os impulsionam a se deslocarem para a cidade, em busca de uma forma de trabalho e moradia “mais digna”, e/ou um ensino mais avançado.

Habitação

Em relação à moradia, observou-se que 80% (36) das famílias entrevistadas moram em casa de alvenaria, enquanto 2% (1) reside em casas de madeira e 18% (8) residem em casa de construção mista.

Quanto ao aspecto das moradias encontradas no Queima Pé, podemos observar que a grande maioria das famílias possuem casa de alvenaria com banheiro no interior da residência, uma única casa de madeira e outras 8 famílias residem em casa mista de madeira e alvenaria. Isso nos passa a percepção de que o padrão de moradia encontrado no Queima Pé é relativamente bom no aspecto de conforto.

Saúde

Os indicadores de saúde no Queima-Pé, nos transmitem a ideia de que as visitas dos agentes comunitários de saúde aconteciam regularmente na maioria dos domicílios do assentamento, mas diante da situação atual da pandemia e a falta das visitas aos moradores pelos agentes de saúde, os mesmos recorrem ao posto de saúde, localizado na cidade, onde contam com atendimento médico, odontológico, de enfermagem, agendamento de exames e demais procedimentos. Esses atendimentos se tornam importantíssimos na comunidade considerando a idade da população aliada as doenças existentes e a forma de trabalho dos produtores que em sua grande maioria não utilizam EPI, quando do manuseio de produtos para lavoura, equipamentos de corte e maquinários em geral.
Na pesquisa realizada, foram constatados os seguintes dados referentes a saúde dos moradores:

Destes dados podemos concluir que das 33 famílias pesquisadas, 22 possuem algum caso de doenças, sendo que deste total, 5 recebem benefício do INSS, proveniente de enfermidades. As 11 famílias restantes não reportaram qualquer tipo de doença ou não responderam a este quesito quando solicitado.

Produtividade

Conforme pesquisa realizada, chegou-se aos seguintes dados a respeito da produtividade na área do Queima Pé de Tangará da Serra: do total de 32 propriedades ali existente, 56,3% das áreas não são produtivas, o que corresponde a 18 propriedades; e somente 14 propriedades, que corresponde a 43,8% tem suas áreas produtivas.


Produção/comercialização

Conforme pesquisa realizada, chegou-se aos seguintes dados a respeito da produtividade na área do Queima Pé de Tangará da Serra: do total de 32 propriedades ali existente, 56,3% das áreas não são produtivas, o que corresponde a 18 propriedades; e somente 14 propriedades, que corresponde a 43,8% tem suas áreas produtivas

Entretanto, a disponibilidade de terra, de água e energia para produção, a falta de mão de obra são fatores que contribuem para tal diversificação. Em relação à pecuária, foram citadas a criação de bovinos, suínos e aves (galinha) e os produtos gerados da criação desses animais como ovos, leite e a fabricação de queijos.
A bovinocultura representa 10,5 % da produção do Queima Pé de Tangará da Serra, representados por 2 produtores de gado de corte contra 5 produtores de gado leiteiro.

Contudo, na maioria das situações o gado é comercializado quando o produtor abate para o consumo próprio e comercializam metade para não ficar com carnes velhas nos freezers ou por não possuir espaço suficiente para guardar, enquanto outros servem apenas para o fornecimento de leite para a família, ou até mesmo como uma reserva para comercialização entre vizinhos. Segundo o relato desses produtores, o gado de corte exige menor cuidado, o retorno é mais rápido sem contar que o leite, no período chuvoso, possui um aumento significativo, alcançando 40% da produção se comparado aos períodos de estiagem. O período chuvoso seria o tempo que o produtor teria um lucro maior por litro de leite comercializado, mas nesse período diminui-se o valor, afetando a média anual do produtor.

Ao serem questionados sobre o custo ou o preenchimento de planilhas de custos ou ainda, os valores pago pelos insumos, alegam não ter tempo para ficar preenchendo, evidenciando a falta de conhecimento sobre o custo da criação. Vale evidenciar que os produtores não consideram a própria mão de obra como custo, um elemento que precisa ser trabalhado, e no futuro, tornar hábito do produtor as anotações pertinentes ao custo de cada produção individualmente.
A criação de aves é expressiva como a segunda maior fonte de renda, com 4 produtores que equivale a 21,1 % da produção. Esses produtores de frango além das aves do programa que precisam de alimentação com núcleo específico, precisam de piquetes e pastagens onde criam galinha soltas e são abatidas em casa, de acordo com a cultura local. Esses frangos caipiras são comercializados nas feiras e supermercados, enquanto o frango do abatedouro vem em saco plástico pequeno, passando ao comprador a sensação de adquirir um produto ainda menor. Segundo os produtores que comercializam nas feiras do Produtor, o frango caipira é mais procurado por ser maior, ser armazenado em sacos plásticos maiores, e o cliente/comprador tem maior visibilidade do produto que está adquirindo.
A produção de suínos vem em terceiro lugar, com 3 produtores que representam 15,8% da produção do Queima Pé Tangará da Serra, ou seja, que comercializam seu produto junto aos vizinhos, amigos sob encomenda e venda nas feiras de produtores. A entrega pode ser animal vivo pronto para abate ou abatido e limpo. O abate é feito na própria residência sem estrutura adequada. Esses produtores têm maior comercialização nas festas de fim de ano, quando a procura por leitões inteiro aumenta.
Os produtores de hortaliças e leguminosas representam, da produção do Queima pé de Tangará da Serra, o total de 2 produtores, perfazendo uma porcentagem de 10,6%, com a produção expressiva de pepino e tomate.

No plantio convencional as hortaliças são vendidas em média na feira ao valor de R$ 5,00 o maço, enquanto o cultivo orgânico vale R$ 6,00 o maço ou pé. Já os produtos vendidos em supermercado recebem o valor menor. A maioria das hortaliças e leguminosas são vendidos nas feiras livres e supermercados, mas não há um planejamento de produção e os produtores plantam de acordo com os ensinamentos de seus pais, tendo excesso de produto em determinadas épocas e em outros tempos a escassez, o que deixa claro que falta ao produtor efetividade no planejamento e compromisso com as datas de plantio, a falta de manejo adequado se torna um fator de baixa qualidade dos produtos e excessivas percas. A maioria dos produtores possui irrigação, que dá condições de produção mesmo em épocas de estiagem. Na época das águas também é possível cultivar, porém devido as pragas, e as ervas daninhas proliferar mais rapidamente, e a produção sofrer queda, os produtores preferem não cultivar chegando até a zerar o cultivo no mês de janeiro e fevereiro. O custo desses produtos não é calculado pelos produtores.
Os produtores de frutíferas representam 10,6% da produção do Queima Pé de Tangará da Serra, são 2 produtores que comercializam frutíferas, entre elas estão a banana e o mamão que são vendidos nas feiras livres e nos supermercados.
Entretanto, há famílias que desempenham tanto atividades agrícolas como não-agrícolas. Exemplo algumas famílias possuem além de produção, mercearias, produção de salgados e doces, bar e prestam serviços a terceiros. Há produtores que fazem diárias para os vizinhos, outros vão para as fazendas fazer colheita e retornam para investir a renda nos sítios.
Torna-se evidente que os agricultores familiares se encontram preocupados em garantir o sustento de sua família, seja pela prática, ainda tradicional, da produção agrícola, seja pelo desempenho de atividades que possam servir de complementação de renda, que necessariamente não dependam daquele meio para o seu acontecimento. A opção que o agricultor faz em realizar as atividades tidas como não-agrícolas é objetivando o aumento da renda familiar, pois na maioria dos casos, aquela advinda da produção agrícola e da criação animal não se dá de forma constante devido a falta de planejamento e falta de incentivo financeiro por parte dos agentes financeiros, que são barrados pela falta de regularização fundiária. Problema este que poderia ser diminuído através do microcrédito rural, desde que haja estratégia dos próprios produtores em fortalecer as associações e cooperativas do assentamento e um processo contínuo de produção.
É evidente que a falta de união corrobora para a falta de mão de obra, que poderia ser resolvida através de mutirões entre as famílias, outro evidente gargalo para a falta de produção é o perfil dos produtores, aposentados, pessoas que sonhavam ter um sítio, mas não vieram da agricultura familiar, tiveram a base de vida no cotidiano urbano, portanto não sabem como fazer manejo adequado, horários de irrigação, tempo de colheita. Este último podendo ser amortizado através capacitações e intervenções técnicas efetivas, levando conhecimento prático aos produtores. Os produtores relatam receber assistência técnica de diversos órgãos, porém não há efetividade. Pois vem como pacote fechado destinado a todos os produtores. Não é levado em consideração, como citado anteriormente, o perfil de cada produtor para posteriormente adequar a assistência.
Quando questionados sobre as políticas públicas percebe-se que a contribuição das políticas públicas surgidas para a agricultura familiar nem sempre é tratada, pelos agricultores familiares, como uma perspectiva de sustentabilidade, pois nem todos compreendem a essência dos objetivos das políticas implantadas no meio rural.
Analisando exemplos da participação dos agricultores em associações e cooperativas, em outras estados, percebe-se que tem gerado benefícios aos agricultores familiares quando tratado com gerenciamento e aproveitamento das ações implementadas. Todavia, os benefícios destinados a impulsionar as famílias rurais a “caminharem com suas próprias pernas” acabam tornando uma política de caráter assistencialista, diante a comodidade das mesmas, assim os agricultores permanecem no mesmo status que antes, dificultando a conquista de um desenvolvimento rural sustentável.

Renda mensal com produção

A venda de produtos advindos do roçado e da criação animal é o que representa a renda oriunda das atividades agrícolas. Dados encontrados através das entrevistas, nos relatam os seguintes dados: 45,5% dos entrevistados (5) recebem até um salário-mínimo proveniente da produção mensal, 18,2% (2) recebem entre 1 a 2 salários, 9,1% (1) recebem de 2 a 3 salários, 18,2% (2) recebem entre 3 a 4 salários e 9,14% (1) recebem mais de 4 salários mínimos pela produção mensal.

Renda mensal individual do produtor

A prestação de serviço, principalmente como diarista em outra unidade de trabalho agrícola, cargo público e a venda de artesanatos, bolos, doces e outros produtos representam atividades não agrícolas, contudo, geradoras de renda. No que se refere à composição da renda das famílias rurais do Queima Pé, foi identificado que quase todas recebem algum tipo de benefício social, seja a aposentadoria rural, ou por invalidez, e/ou o Bolsa Família. Desta renda auferida através de receita não oriundos da produção agropecuária, chegamos aos seguintes dados: 37,1% recebem até 1 salário-mínimo, o que corresponde a 13 pessoas; 22,9% (8 pessoas) recebem entre 1 e 2 salários mínimos; 17,1% (6 pessoas) recebem entre 2 e 3 salários mínimos; 5,7% (2 pessoas) recebem entre 3 e 4 salários mínimos; 5,7% (2 pessoas) recebem entre 4 e 5 salários mínimos e 11,4% (4 pessoas) recebem mais de 7 salários mínimos.

Mão de obra e forma de trabalho

Cerca de 75% (21) das propriedades, a mão de obra é desenvolvida pelo casal e pelos filhos ou por diaristas. Enquanto 7,5% (2) das propriedades são conduzidas por arrendatários e 17,9% (5) das atividades são exercidas por colaboradores contratados.

Área das propriedades

O tamanho da propriedade é outro elemento que, segundo a Lei de N.º 11.326/2006, define o tipo de agricultor.
O Queima Pé de Tangará da Serra possui 28 propriedades, sendo 6 propriedades com área inferior a 1 há, 9 propriedades com área variando entre 1 a 5 há, 3 propriedades com área entre 6 a 10 há, 3 propriedades com área entre 11 a 15 há e 7 propriedades com área acima de 16 há, conforme gráfico abaixo.

Pode-se notar que, sua grande maioria, podem ser considerados como agricultores familiares, exceto aqueles que não possuem renda proveniente de produção. Pelo tamanho da área pode-se dizer que são pequenos produtores, porém não é o tamanho da área que define o crescimento sustentável da agricultura familiar, mas sim o tipo de solo, a disponibilidade hídrica e de insumos são fatores que influenciam diretamente na produção e criação animal.

Sabe-se pelos relatos que há a necessidade de investimentos com adubação do solo, irrigação para os períodos de estiagem, e demais insumos. Criação de novas estratégias de desenvolvimento agrícola, de modo que possa assegurar a produção de alimentos de forma estável, bem como a qualidade ambiental torna-se cada dia mais urgente. Entre outros, os objetivos que se pretende com essas novas estratégias são: segurança alimentar, proteção ao meio ambiente e aos recursos naturais. Objetivos esses que devem estar em concordância com a sustentabilidade econômica local.
Os equipamentos que esses atores utilizam para o desenvolvimento do trabalho são enxadas, machado, roçadeiras, motosserra, tratorito entre outros e tratores e implementos locados de terceiros ou de associações, os quais foram disponibilizados pelos órgãos públicos.
Em relação ao desmatamento, observou-se que é prática comum entre os agricultores familiares.
Quando questionados sobre meio ambiente normalmente é um assunto que os produtores procuram não responder, alegando não ter conhecimento sobre as situações. Mas no decorrer das entrevistas, entre uma propriedade e outra avistou-se por diversas vezes, áreas recém desmatadas e por vezes, fogo e muita fumaça.
Percebe-se que é tradição das famílias optarem por desmatamentos e queimadas. E esse fato pode estar relacionado à falta de conhecimento e/ou alternativas mais sustentáveis, ambientalmente e economicamente, que possam a vir substituir tais práticas.
Ambas causam grandes transformações na paisagem rural além de contribuir para a extinção de espécies animais e vegetais, como também para a erosão do solo deixando-o mais desprotegido. Além do mais, a fumaça advinda das queimadas libera gases para a atmosfera que colabora para o aumento das temperaturas, deixando o clima mais seco.
Outro grande vilão encontrado nas pequenas propriedades é o uso inapropriado de veneno, com o grande número de ataque de pragas nas hortaliças e frutíferas, é comum no dia a dia dos produtores aplicação de veneno, o que chama a atenção é que na maioria das vezes os produtores não utilizam EPI, ou utilizam de forma errônea. O segundo ponto dessa utilização é a forma que esses produtores adquirem o produto, sem um responsável técnico para orientá-los, procuram o comercio local e adquirem sem maiores orientações. Muitas vezes o produto não é indicado para o uso que pretende fazê-lo, com carência desconhecida pelo produtor, carência esta que pode causar danos à saúde do ambiente e das pessoas que manipulam o veneno e as pessoas que adquirem o produto para alimentação.
Por uma questão cultural por parte daqueles agricultores, utilizam os agrotóxicos como única forma de salvar a produção e resistirem à mudança, mesmo conhecendo alguns exemplos de produtores que é possível produzir sem agrotóxicos, apenas respeitando a terra. O uso indevido e inadequado dos agroquímicos podem causar grandes danos econômicos e ambientais à sociedade. Quando usado incorretamente, este causa contaminação da água e dos solos, pois se desloca no meio ambiente, através dos ventos e água da chuva para locais distantes do local aplicado. Ele ainda pode ser responsável pelos altos índices de intoxicação verificados entre os produtores e trabalhadores rurais, além de provocar a contaminação dos alimentos. Logo, pode-se perceber que se tais práticas forem intensificadas trarão sérios problemas para o meio ambiente, que consequentemente acarretará danos econômicos e sociais à agricultura familiar.

Água

Nas propriedades ao longo da bacia do Córrego Queima Pé, cerca de 3,8% das propriedades têm o rio como origem das águas para seu consumo, 7,7% retiram suas águas das minas, 15,4% são abastecidos com poços semiartesianos, 15,4% bastecidos por poços artesianos e 57,7% utilizam-se de poços caipiras, conforme gráfico abaixo.

Desta forma é fácil notar que a maior parte das propriedades situadas no Queima-Pé, em Tangará da Serra, utilizam-se de poços caipiras, sendo que os que utilizam poços artesianos e semiartesianos representam a segunda forma mais utilizadas, seguido da faixa menor de usuários que se utilizam da do abastecimento direto do rio e das minas.

Lixo e esgoto doméstico

Analisando a situação do lixo das famílias entrevistadas, foram identificados quatro tipos de destino: queima, utilização para adubação, jogado em fossas e transportados até um eco ponto.

Diante das informações obtidas com os entrevistados, a forma mais comum para o destino do lixo doméstico, 55%, está relacionada ao transporte do material até o ecoponto, seguido pela prática da queima (24%) e o restante deste material é jogado em fossas e utilizado para adubação de pomares e hortas domésticas.
Alguns dos entrevistados não responderam ou desconhecem uma forma mais adequada para a deposição do lixo que geram, também afirmam não ver problemas na maneira de fazê-lo, pois a quantidade gerada é considerada, por ela, insignificante.
No que se refere ao esgotamento sanitário na zona rural do município, ficou evidente que todas as famílias entrevistadas se encontram expostas ao esgoto doméstico a céu aberto.

Em relação ao esgotamento sanitário, predomina o uso de fossas sépticas. A maioria dos agricultores entrevistados declaram não ver nenhum problema em relação a essa forma de destinação das águas usadas nos serviços domésticos.
Já outros citaram o surgimento de mosquitos, e reconhecem que estes podem trazer danos à saúde da família. Todavia, o número de pessoas que conhecem alguma forma mais sustentável de destinação dos esgotos domésticos e sanitários é superior ao número de pessoas que desconhecem problemas oriundos da forma de destino atual. O esgotamento sanitário na zona rural apresenta-se como insustentável, tornando preciso se pensar em políticas públicas que promovam ações ecologicamente sustentáveis para superar a problemática da destinação dos esgotos a céu aberto.
A falta de uma política pública voltada para a melhoria da qualidade de vida da população rural, o baixo rendimento das famílias e até mesmo a forma de participação em capacitação e fórum de discussão popular não tem provocado inovações na agricultura familiar em relação ao saneamento básico, principalmente no que diz respeito ao destino dos esgotos e lixo de forma sustentável. Contudo, alternativas para o tratamento desses resíduos em comunidades rurais devem ser pensadas de forma participativa.

Resultados alcançados

Identificado os principais produtores familiares do município;
Captação de dados das situações das famílias;
Complementar o resultado das oficinas do futuro;
Identificada as propriedades que sofreram com queimadas em 2020.