Levantamento Socioeconômico da Comunidade Vale do Sol I

Atividades

Deu-se início a coleta de dados dos produtores da comunidade Vale do Sol I com visitas e preenchimento de formulários.
É importante notar que alguns sitiantes ficaram receosos em responder os formulários num primeiro contato, como se pode observar a negativa de respostas em alguns quesitos solicitados, sendo necessário retornar as visitas em outra oportunidade ou observando e desenvolvendo ações para a coleta de dados.
Todos os valores fornecidos pelos produtores e utilizados nos gráficos abaixo, são a média anual de 2022 que cada produtor forneceu.
Uma outra dificuldade encontrada está na falta de controle contábil dos seus gastos e receitas, tornando-se uma tarefa impossível quando se trata de mensurar a produção individual de cada item.
Todo o Diagnóstico foi construído com base nos relatos dos produtores entrevistados.

Título da Propriedade

Durante as coletas dos dados para o diagnóstico, percebeu-se a insatisfação geral dos moradores para uma série de problemas que estavam ocorrendo. Ao questionar a respeito das expectativas quanto da aquisição os lotes, informaram que esperavam uma atuação maior da comunidade e da associação no sentido de união para enfrentarem os problemas da terra. Alguns relatam o interesse em vender, por falta recursos para investir, pois as terras ainda não estão regularizadas, para obtenção dos títulos definitivos.
De acordo com o gráfico, os assentados são proprietários e estão desde o início do assentamento, não existindo posseiros. São produtores que chegaram no início da divisão dos lotes e, com raras exceções, são arrendatários (6).

Faixa etária

A maioria dos produtores tem idade na faixa de 51 a 60 anos 36%, com alguns problemas de saúde como a hipertensão, que diminui seu tempo de trabalho na lavoura pois não podem se expor ao calor intenso.
Vale ressaltar que a idade de maior número nos assentados está nesta faixa, seguido pelos que tem idade superior, entre 61 a 70 anos, num total de 30%, depois a faixa dos 41 a 50 com 17%, de 71 a 80 anos e 34 a 40 com 6%, e a menor quantidade na faixa entre 21 e 30 anos com 4%.
Os poucos jovens que ainda estão no assentamento, relatam o desejo de morar na cidade. Talvez por falta de conhecimento ou falta de estímulos para se sentir importante como pequeno produtor familiar.

Pessoas que moram na propriedade

Foi observado durante as entrevistas que cada propriedade abrigava mais de uma pessoa ou mesmo famílias dentro do seu espaço. Nesse sentido foi perguntado qual o número de pessoas que habitavam o mesmo local.
Da coleta de dados pode-se verificar 16 Propriedade onde moram apenas duas pessoas representam 34%, onde moram 4 pessoas foi um total de 10 propriedades (21%), onde moram 3 pessoas foram encontradas 8 propriedades (17%), 7 e 5 pessoas encontrados em 4 propriedades, 6 pessoas em uma única propriedade e não responderam 5 familiais.

Participação associativa

Perguntado aos entrevistados a respeito de participação em alguma Associação, 28 (58%) disseram mão participar de nenhuma associação apesar de se manifestarem a favor da criação de uma associação comunitária unida. Os restantes 20 agricultores (42%) disseram participar de uma associação.

Saúde

Das famílias entrevistadas, 28 famílias (60%) disseram que tem alguém com problemas de saúde em casa. Desde hipertensão até problemas mais graves como transtornos na coluna e câncer. As restantes 19 famílias (40%) não reportaram qualquer tipo de doença

Estruturas fisicas nas propriedades

As casas das propriedades, na sua quase totalidade, são feitas de alvenaria com banheiro interno. Alguma faltando acabamento e também com banheiros externo.

Área produtiva

Das 47 propriedades que fazem parte da Comunidade Vale do Sol, 43% são áreas de plantio e 57% são áreas de pastagem conforme gráfico abaixo.

Equipamentos para exploração da terra

Pesquisado a respeito da posse de equipamentos próprios para trabalhar a terra, 33 famílias (63%) disseram não possuir qualquer tipo de equipamento e sempre que necessitam para algum trabalho, solicitam ajuda dos vizinhos. Os que tem algum tipo de equipamento são aqueles que tem trator, num total de 6 famílias (11%), 5 famílias têm tratorito (10%), 3 famílias têm motosserra (3%). 3 famílias têm roçadeira (3%), 1 morador tem misturador (2%) e 1 morador tem grade (2%)

Gastos na manutenção familiar

As despesas variam de acordo com a quantidade de membros de cada família e sua produção.
A energia elétrica, normalmente tem valores baixos por serem classificadas como energia de zona rural, mas pode chegar a valores elevados nas propriedades produtoras, quando, por vezes que é necessário ligar chuveiros, equipamentos como bombas e máquinas de processar alimentos, para alimentar animais. Na média geral ela representa 10% do total de despesas
Um outro valor que pesa no orçamento das famílias, no valor total das despesas, é o consumo nos supermercados que chega a 33% do orçamento familiar, com seus preços sendo elevados com maior frequência nos últimos tempos, com maiores aumentos nos produtos. Porém os produtores preferem economizar em outros itens para manter uma alimentação saudável, mantando o padrão existente.
Consultas, exames, medicações e procedimentos cirúrgicos também fazem parte das despesas com algo em torno de 16%, que mais pesam no bolso dos produtores e, mesmo estando por conta do SUS, alguns exames como os de urgência ainda precisam ser feitos de forma particular.
Sem contar valores como estes que acabamos de ver, podemos ainda citar ainda a manutenção familiar que significa uma fatia razoável nos gastos diversos como aquisições de pequeno porte, aparelhos domésticos, manutenção de equipamentos domiciliares, vestuário, calçados e produtos de higiene e limpeza, somando 30%.
Um outro fator que onera são os planos de saúde, odontológicos e auxílio funerário responsável por 11%.

Gastos com a produção

Quanto a produção, observamos um aumento nos custos elevou-se em mais de 100 %, nos últimos meses. O farelo de soja ocupa a posição de maior consumo dos produtores, com 39% das despesas tem a saca de 50 Kg num custo médio de R$2.360,00.
Os medicamentos nos tratos com animais têm tido aumentos frequentes e hoje corresponde a 15% das despesas de produção.
O Milho, responsável por 32% das despesas, tem seu custo cotado hoje a R$88,00 o saco de 60 Kg.
As rações animais também têm seu preço majorado de acordo com aumento da sua matéria prima e impactam o orçamento produtivo em 14%

Produção

Pode-se notar que a grande maioria produz galinha caipira e suínos, talvez pela cultura que herdaram dos pais.
Esses produtores não fazem cálculo referente ao custo de produção e nem das receitas, seja individual de cada produto ou do total o que impede relatar de forma individual o custo de produção de cada item ou as receitas.
Pode se perceber que os sitiantes, apesar das dificuldades no assentamento por eles relatadas, na sua totalidade obtêm lucros na comercialização dos produtos.
Nota-se que algumas famílias estão iniciando sua produção, portanto não estão contabilizando lucros do sítio e precisam buscar renda na cidade ou em fazendas próximas ao assentamento, para continuar investindo.
No gráfico abaixo conseguimos traçar algum tipo de produção que é realizado pelos agricultores, sem grandes pretensões econômicas e de forma ainda desordenada por falta de aconselhamento técnico e organização por parte da associação.
Notamos que o cultivo da mandioca predomina com 27 familiar produzindo, o que corresponde a 39% de toda produção. Logo em seguida se destaca o plantio de frutas como a manga, goiaba, a pitaia, limão e outras, representando 16%. Os legumes apresentam o terceiro lugar em produção, com 11% e as plantações de verduras com 9% do total.
Da produção animal temos a comercialização de aves com 10%, de suínos com 4% e o gado com 1%. O leite produzido e comercializado representa 4% e a produção de queijo e especiarias como pimenta, ervas e alguns produtos de conserva como os doces e bolachas representam 6% da produção.

Utilização da água

No assentamento os produtores utilizam água potável de poços artesianos, semiartesianos e de minas d’agua.
Todos os poços existentes no assentamento, sejam artesianos, semiartesianos, minas d’água, estão devidamente equipados com bombas de água.
Do total, 24 famílias (44%) se utilizam de poços caipiras para a captação da água para uso domiciliar e para os animais. 21 famílias (38%) se utilizam de poços artesianos e 9 famílias (16%) se utilizam de poços semiartesianos. Apenas uma família obtém água através de mina.

Irrigação

Na comunidade não existe um projeto de irrigação e é uma das reinvindicações. No período de seca os produtores sofrem pela falta de água e, inclusive, alguns trazem da cidade para abastecer suas casas e dar de beber aos animais. Essa falta de água inviabiliza algumas culturas tais como as hortaliças e os legumes.

Destinação do lixo

O lixo produzido nas propriedades tem a seguinte destinação:

Resultados alcançados

Identificado os principais produtores familiares do município;
Captação de dados dos proprietários;
Complementar o resultado das oficinas do futuro;
Identificada os problemas que mais afligem os moradores.

Primeira Oficina - "Muro das Lamentações"

A atividade “Muro das Lamentações”. Desenvolvida pelo IPAC – Instituto Pantanal Amazônia de Conservação, com a metodologia do Programa Cultivando Água Boa da Itaipu Binacional, através de seu representante e palestrante Jair Kotz, teve o apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e da Associação de Agricultores Familiares Vale do Sol I.
Esta metodologia abrange aspectos sociais, comunitários, de organização, de associativismo e de produção.
Neste trabalho os participantes relataram as dificuldades que a Comunidade Vale do Sol I vem enfrentado, especialmente no diz respeito a aspectos sociais, de produção, econômicos, de saúde, de educação, de infraestrutura e em relação ao atendimento por parte das instituições públicas referente a disponibilidade destes serviços à comunidade.
Os agricultores compareceram em número bastante grande e tiveram a oportunidade de discutir com o palestrante e até entre eles mesmos, “lamentos” que, sistematizados, servirão de base para o desenvolvimento das próximas oficinas ou até um novo levantamento mais específico, caso necessário para subsidiar novas ações.
Ao final das reuniões foi servido um coffee break, que possibilitou uma conversa mais informal com algumas pessoas da comunidade e onde o Palestrante pode receber sugestões para resolver alguns problemas mais graves.

Segunda Oficina - "Árvore da Esperança"

A atividade “Árvore da Esperança”, a exemplo da oficina “Muro das Lamentações”, foi desenvolvida pelo IPAC – Instituto Pantanal Amazônia de Conservação, com a metodologia do Programa Cultivando Água Boa da Itaipu Binacional, através de seu representante e palestrante Jair Kotz, teve o apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e da Associação de Agricultores Familiares Vale do Sol I.
Esta metodologia procura trazer soluções para os problemas apresentados na primeira oficina. Abrange aspectos sociais, comunitários, de organização, de associativismo e de produção.

OFICINAS

Fotos da Comunidade